Hoje falhei. Outra crise de desespero pra sair de casa de manhã. Acordei ás 4h e passei 5 minutos na cama tentando me preparar mentalmente pra começar o dia. Levantei e fui pro banheiro escovar os dentes e lavar meu rosto já tremendo. Tirei a roupa da máquina, e dizendo em voz alta tudo que estava fazendo pra tentar me desligar do medo. Me arrumei e saí o mais rápido que pude, nem dei muitos beijos na Jackie porque senão eu iria ativar mais um gatilho em mim. Ao pisar na rua já desabei em lágrimas e fui caminhando pro ponto de ônibus. Sento-me sempre na última poltrona na janela. Dei bom dia ao motorista e ele quase chorou comigo. Minha cabeça já me sabotava desde as 20h da noite anterior.
Por aproximadamente 10 segundos enquanto eu caminhava pro restauranteu me esqueci completamente de onde estava. Foram os piores 10 segundos da minha vida. Estava bem na ponte paralela com a London Bridge. Debrucei na ponte por dois minutos tentando me lembrar de onde foi que eu me perdi assim. Onde foi que eu adquiri esse auto-terrorismo. Ali mesmo enquanto chorava eu não consegui segurar, e vomitei. Apenas saliva e o gosto amargo de uma pílula de vitaminas que tenho tomado toda manhã com um copo de leite de amêndoas. Eu estava me adaptando a esse auto-terrorismo que é a síndrome do pânico. Antes de dormir sempre deixo a roupa que vou usar no outro dia em cima da cômoda, o uniforme pronto e limpo já dentro da bolsa, e preparo 2L de soro caseiro, pois eu só consigo ingerir líquidos até pisar em casa de novo. E tento agilizar as coisas o máximo possível na noite anterior pois os 50 minutos que gasto pra me arrumar de manhã, eu uso apenas 20 pra mim mesma. Os outros 30 eu passo andando de um lado pro outro repetindo ma minha cabeça tudo que fiz pra ver se não esqueci nada. E repito várias vezes. Na hora eu tenho certeza de que tá faltando algo. Ai eu me pego atrasada pra sair e me jogo correndo nesse mundão. Hoje eu não aguentei... Completei meu trajeto até o restaurante, pedi desculpas por desperdiçar o tempo deles, expliquei a real razão de estar voltando pra casa hoje novamente e que eu provavelmente deixarei a empresa. E a Gizi, minha Head Cheff, me abraçou e disse que tudo bem, pra eu me cuidar e não me preocupar com o restaurante. E então eu saí de lá e me sentei na calçada mais uma vez chorando com minha cabeça me sabotando a cada segundo e liguei pra Jackie. Coitada, mais um dia que acabo acordando ela antes do horário dela acordar. Espero não estar desgastando demais o meu amorzinho...
Tô dentro do trem agora com metade das pessoas olhando pra minha cara por estar chorando. A próxima vez que eu ver alguém chorando vou oferecer um abraço. Eu queria muito receber um agora.
15:31: fumei um baseado. Hoje eu tô me sentindo meio confusa. Eu estava crente de que estou num nível bem melhor de autocontrole emocional e psicológico, mas hoje eu já não tenho tanta certeza. Distraída mais cedo comecei a cantarolar e depois de alguns segundos eu senti meu rosto e corpo queimarem e um baita frio na barriga, então me calei. Hoje eu percebi que minha insegurança é tão grande que eu sinto vergonha até de mim mesma. Nunca fui o tipo de criança que faz barulho demais. Eu aprontava calada. Também nunca fui de dançar sozinha ou fazer qualquer coisa que vá chamar a atenção de todos pra mim. E me lembrei de um dia na terapia que a Rosi durante um exercício me pediu para cruzar os braços no peito, fechar os olhos e cantarolar (de boca fechada) bem baixinho uma melodia que iria me trazer calma. Eu consegui fazer tudo, menos cantarolar ou emitir qualquer som que não fosse minha fala em uma conversa normal. Eu não sei se isso é timidez, se é medo de ser criticada por alguma razã...
Comentários
Postar um comentário