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Quarta-feira 21 de Agosto de 2019.

15:31: fumei um baseado.
Hoje eu tô me sentindo meio confusa. Eu estava crente de que estou num nível bem melhor de autocontrole emocional e psicológico, mas hoje eu já não tenho tanta certeza. Distraída mais cedo comecei a cantarolar e depois de alguns segundos eu senti meu rosto e corpo queimarem e um baita frio na barriga, então me calei. Hoje eu percebi que minha insegurança é tão grande que eu sinto vergonha até de mim mesma. Nunca fui o tipo de criança que faz barulho demais. Eu aprontava calada. Também nunca fui de dançar sozinha ou fazer qualquer coisa que vá chamar a atenção de todos pra mim. E me lembrei de um dia na terapia que a Rosi durante um exercício me pediu para cruzar os braços no peito, fechar os olhos e cantarolar (de boca fechada) bem baixinho uma melodia que iria me trazer calma. Eu consegui fazer tudo, menos cantarolar ou emitir qualquer som que não fosse minha fala em uma conversa normal. Eu não sei se isso é timidez, se é medo de ser criticada por alguma razão, medo de ser rejeitada por emitir um som horrível (eu cantando), eu só sei que eu simplesmente não consigo. Eu nunca consegui falar na frente da sala, nunca consegui ter um debate verbal por maior que seja minha experiência em determinado assunto. Eu fui criada pra ser um ser humano perfeito, mas eu não chego nem perto disso. Simplesmente não me encaixo. O modelo de vida atual não faz sentido pra mim, tanta maldade não faz sentido pra mim, nada faz sentido pra mim. E eu tenho 25 anos, de acordo com a sociedade eu já deveria estar me casando com um cara charmoso e bronzeado, me formando em Direito ou Medicina, com um carro mesmo que não seja do ano, muitos amigos e uma dieta incrível. Eu nem quero nada disso aí, gente. Não quero trabalhar por todos os dias pelo resto da minha vida, não quero ter roupa cara, telefone caro, não quero ser médica nem advogada (eu quero distância do ser humano então vou estudar pra trabalhar em zoológicos e reservas), e muito menos quero um marmanjo agarrado do meu lado, que me desculpem os que gostam mas minha atração por homens não passa de física, ou sexual pra quem assim preferir dizer. Mas eu prefiro a distância de homens de toda espécie. Eu tenho o famoso ranço, a referência moderna pra pavor.
Além dessa insegurança eu tenho acumulado raiva. Não sei de onde vem, mas enquanto meu humor oscila várias vezes em um dia eu sinto como se estivesse a um passo de quebrar qualquer coisa que estiver perto de  mim, ou como se eu quase pudesse matar alguém. É uma raiva tão grande que eu desconto gritando e xingando se eu estiver sozinha e estragando coisas, e seguro e guardo ao máximo se não estiver sozinha, mas não funciona bem sempre. Ou eu tô muito bem, ou eu tô muito mal, ou eu tô com muita raiva, ou tô com muito tesão e quero transar por 4 horas direto, etc.
Tenho percebido também um contraste enorme entre quem eu era 2 anos atrás e quem eu sou hoje. Nisso tem pontos negativos e pontos positivos. Passar 2 anos longe de tudo e todos que me cercavam me deu tempo o bastante pra perceber o que eu realmente sou e gosto. Eu me tornei uma pessoa mais carinhosa, mais paciênte (com situações da vida em si), mais compreensiva, e principalmente: eu passei a me importar muito mais com tudo e com todos. É como se eu estivesse vivendo de maneira secundária até os 23 anos, como se minha vida estivesse passando como um filme. Eu não sentia tanto quanto sinto hoje. O Brasil me faz chorar, a situação da terra, dos animais e das pessoas me faz chorar.  Tudo me faz chorar. Justamente nesse momento da minha vida eu fui conhecer o meu grande amor, a pessoa que sonhava ter e claro, eu a perdi. Eu tô vivendo o pior e o melhor momento da minha vida. Desde o primeiro dia desse ano eu digo: 2019 é o meu ano. Eu não sei se isso é algo bom ou ruim, eu só sei que é o meu ano. O meu despertar pro que eu realmente sou e gosto. Então eu me fiz a promessa de viver esse ano inteirinho mesmo que os 365 dias dele sejam ruins. Eu vou fazer de tudo que eu puder pra ficar bem com as pessoas que amo, comigo mesma e principalmente com a terra e o meu próximo. Independentemente de quantas vezes eu cair esse ano, eu vou levantar todas, e  mesmo que eu sinta vontade de morrer, eu vou concluir esse ano de cabeça erguida mesmo que com lágrimas nos olhos.

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