Domingo foi dia de terapia e reprocessamento. Ontem, segunda feira, foi dia de crise. Quando acordei às 4h da manhã eu já estava extremamente agoniada e chorando atoa. Pois bem, levei 50 minutos pra vestir uma roupa e sair. Perdi as contas de quantas vezes andei de um lado pro outro no quarto enquanto na minha cabeça havia um turbilhão de pensamentos e gatilhos. Quando finalmente consegui sair já estava chorando. Eu tenho duas opções de caminho para o trabalho nessa hora. Quando atravessava a rua em frente a minha casa o primeiro ônibus que eu poderia pegar apontou na esquina, eu o perdi. Fui andando chorando para o outro ponto de ônibus, me sentei e fiquei de olho no horário do ônibus no celular. Faltavam 19 minutos para o ônibus passar. Quando ele finalmente apontou na esquina, ele passou direto por mim e o motorista apontou pra cima me mostrando algo que estava colado acima da altura da minha cabeça: uma placa do tamanho de uma folha A4 dizendo que o ponto de ônibus estava fechado e era proibido a parada ali em qualquer momento do dia. E lá se vai o segundo caminho que eu poderia tomar. Desabei em choro e desgosto enquanto caminhava pra casa, já com espasmos de nervoso, uma taquicardia horrível, uma tremedeira sem fim e uma agonia sem fim. Quando alguém passava ao meu lado me dava vontade de deitar em posição fetal, formar uma bola com meu próprio corpo, e ficar ali paradinha e escondida. Os 7 minutos que andei até em casa foram terríveis, foram como 7 horas. Voltei pra casa e já me joguei na cama chorando em cima da Jaki que preocupada me abraçou e assim permaneceu comigo pelo resto do dia. Não foi trabalhar e ficou em casa me fazendo companhia! Eu tenho muita sorte em ter uma pessoa tão incrível disposta e feliz ao meu lado! Amo tanto que chega a doer! E hoje estou agora ás 05:35h no metrô em mais uma tentativa de chegar no trabalho. Uma tentativa porque a agonia de ontem ainda está aqui, na companhia de uma dor de cabeça de 5 dias, uma cólica que vai e vem, menstruação atrasada e alterações de humor constantes. Eu estou com vontade de me esconder em qualquer canto e ficar. Não sei de onde estou tirando forças... Vamos ver se consigo vencer o dia de hoje. Não se pode esperar que tudo seja perfeito, não é mesmo?!
15:31: fumei um baseado. Hoje eu tô me sentindo meio confusa. Eu estava crente de que estou num nível bem melhor de autocontrole emocional e psicológico, mas hoje eu já não tenho tanta certeza. Distraída mais cedo comecei a cantarolar e depois de alguns segundos eu senti meu rosto e corpo queimarem e um baita frio na barriga, então me calei. Hoje eu percebi que minha insegurança é tão grande que eu sinto vergonha até de mim mesma. Nunca fui o tipo de criança que faz barulho demais. Eu aprontava calada. Também nunca fui de dançar sozinha ou fazer qualquer coisa que vá chamar a atenção de todos pra mim. E me lembrei de um dia na terapia que a Rosi durante um exercício me pediu para cruzar os braços no peito, fechar os olhos e cantarolar (de boca fechada) bem baixinho uma melodia que iria me trazer calma. Eu consegui fazer tudo, menos cantarolar ou emitir qualquer som que não fosse minha fala em uma conversa normal. Eu não sei se isso é timidez, se é medo de ser criticada por alguma razã...
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