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Retomando a rotina - 29 de Abril de 2019

Hoje escrevo feliz.  E eu nunca disse que deixaria de escrever aqui quando estivesse feliz, nem disse que escreveria apenas enquanto estivesse mal. Não estou curada, mas estou no processo!
Minha última semana foi incrível. Mesmo estando dentro de casa tenho estabelecido horários pra acordar, dormir, comer, etc. Não sei onde foi o ponto crucial entre o fundo do poço e o dia de hoje.
Tenho aprendido na terapia a me respeitar e ser mais gentil comigo. Como fazer isso? Bom, a maneira que eu fiz foi o seguinte: primeiro eu escutei quando alguém me disse pra ser mais gentil comigo mesmo e percebi que faz sentido. Depois pensei em quais maneiras eu tenho sido cruel comigo, e percebi que quando faço algo errado ou derrubo algo acidentalmente por exemplo, logo solto um palavrão e solto palavras negativas sobre mim como "como você sonsa, Amanda!" "Como você é lerda/burra, Amanda!" E essas afirmações não brotaram na minha cabeça, alguém um dia me disse isso. Quando alguém me ofendia, eu acabava pegando essa ofensa, colocando na minha mochila gigante imaginária que eu carrego nas costas, e seguia, as vezes retrucava, as vezes apenas pegava aquela ofensa pra mim. Quando alguma situação ruim acontecia na minha vida eu também pegava e colocava no mochilão, sem mal analisar e lidar com a situação, e seguia. Quando minha mochila ficava muito pesada eu parava, tirava ela das costas e analisava quantas coisas ruins eu carregava comigo. E novamente estava eu me cobrando e sendo maldosa comigo mesma; eu me culpava e transformava em falsa-verdade todas essas coisas que carregava na mochila. Logo estava me vitimizando. "Pobre de mim, só sofreu nessa vida." O que não deixa de ser verdade, mas não devo sentir pena nem de mim nem de ninguém por isso. Eu apenas lidei com as coisas de maneira errônea. Hoje, quando alguém me ofende ou quando cometo um erro, antes de ser explosiva eu encaro essa ofensa ou seja lá o que for que o universo ou outro ser humano estiver me oferecendo, eu transformo isso mentalmente em um objeto qualquer e não o coloco dentro da minha mochila. Deixo ele exatamente onde o dono dele o deixou (o dono é quem o atirou em mim, e não eu), não pego pra mim, agradeço mentalmente pelo "presente" mas faço a escolha de NÃO CARREGAR isso comigo. E sigo.
Logo minha mochila vem ficando cada vez mais leve. Não tenho apenas tirado as coisas dela. Antes de tirar, eu as transformo em algo de bom como aprendizado, e então deixo pelo caminho que venho cruzando. Logo fico menos cansada, e acabo tendo mais disposição pra sair da cama, pra tomar um banho de manhã e tomar um café na mesa ao invés de acordar, fazer xixi e voltar pra cama, e ali passar o resto do dia pensando sobre como seria morrer.
Corri 3x na última semana, no domingo (ontem) voltei ao meu primeiro treino de futebol estando na Inglaterra. Agora eu tenho um time! Num aplicativo que junta contratantes com pessoas que buscam emprego eu já consegui duas entrevistas de emprego pra essa semana, apesar de ter meu antigo emprego esperando por mim. Vou hoje ligar e agradecer a paciência, mas percebi que ali não é pra mim! Tenho planos pra daqui 6 meses, coisas que eu não tinha até um mês atrás. Minhas dores de cabeça desapareceram, minhas crises de ansiedade tem aparecido cada vez menos, e quando aparecem eu tenho aprendido a lidar com elas (vide guia da terapia que me foi e tem sido muito útil), tenho feito cada vez menos uso da maconha (hoje eu nem tenho pra falar a verdade e nem vou comprar), e pela SEGUNDA VEZ me posicionei sem perder a razão com uma pessoa querem faltava o respeito. Essa pessoa entendeu o que eu quis dizer e pela primeira vez nós não tivemos uma briga nem ela saiu chorando; essa pessoa é a minha mãe! Logo depois estava me mandando mensagem no WhatsApp pra testar a internet dela e me mandando vídeos engraçados. Milagrosamente tive uma pequena troca de afetos virtuais com meu primo Thiago, com quem já vivi anteriormente, e então ele me perguntou se poderia novamente me colocar no grupo da família no WhatsApp (do qual eu havia saído 3 vezes armando o barraco por que algumas pessoas ali discordavam da união homoafetiva, e eu como sendo homossexual me senti diretamente ofendida, mas reagia a isso de maneira errônea, então saía do grupo brava com a família inteira) e eu disse que sim, e logo tive uma recepção calorosa de primas com quem eu tenho reatado as relações também. Posso dizer que estou colocando minha vida nos eixos aos poucos, sem mexer na vida das pessoas, apenas mexendo na minha. Mudando MEUS hábitos, minha maneira de dizer que algo está errado, minha maneira de sentir empatia pelo próximo, etc. Estou bem com meus pais, estou bem com minha sexualidade, estou bem com minha fragilidade sobre determinados assuntos, e assim estou bem com a vida e não mais cogito deixá-la! Hoje nem preciso mae lembrar de agradecer ao meu pai eterno por todas as bençãos que tenho CONQUISTADO e por seu eterno amor e paciência em me ver florescer! Sou eternamente grata a terapeuta FODA que encontrei, aos meus pais e irmãos por me concederem uma reconciliação, amigos que havia me afastado que também consegui "perdoar" e encarar de outra maneira o problema que tivemos. Eu hoje estou eternamente grata pela vida!

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