Ontem depois que parei de escrever Jackie chegou e fomos juntas para o banho (ela ainda não pode molhar a mão que foi operada, ainda preciso ajudá-la no banho, e eu ainda me sinto mais segura na companhia dela). Tomamos nosso banho e sentei na cama pra ligar pra minha mãe, todos os dias conversamos um pouco. No momento estou escrevendo pelo meu celular.
A conversa com minha mãe já começou com ela mesmo sem perceber, me pressionando pra sair de casa e ir trabalhar. Juro que minha mãe já teve depressão, crises de pânico, e acha que meu caso é preguiça ou falta de Deus. Me irrita o quanto minha mãe foi alienada pela religião. Meu relacionamento com Deus é diário e íntimo, e não aceito virem me dizer que não tenho Deus em minha vida porque eu não frequento a igreja. Eu me recuso a ver meu Deus como vingativo ou pensar nas coisas ruins da vida como um castigo por algo que fiz. Acredito no karma, e que um dia nós seremos cobrados por ele, mas não acredito que Deus esteja me punindo. Eu acredito que eu mesma estou me punindo. Minha mente é uma megera que todos os dias tenta me diminuir pelas cobranças que a própria aprendeu com a minha mãe.
No meio da nossa conversa a minha mãe começou a me contar sobre o casamento dela e acabou que juntas nós entramos nesse assunto.
Então ela me contou a seguinte história enquanto eu ouvia com lágrimas nos olhos e um sentimento grande de revolta:
Meu pai sempre foi um homem carinhoso e atencioso, segundo a minha mãe ele era o namorado perfeito. Durante o namoro dos dois, ele contou pra minha mãe sobre a ex namorada dele, que havia engravidado mas ele não a amava. Ele não queria se prender pelo resto da vida a uma mulher que ele não amou. Ele havia se apaixonado perdidamente pela minha mãe. E a mãe dessa ex namorada dele que se chama Marcia (o mesmo nome da atual) fez uma certidão de nascimento falsa da Marcia, pra obrigar o meu pai a se casar com ela na polícia. Eles chamavam de casar na polícia quando uma menor de idade engravidava e o homem não quisesse se casar com a menor. Mas no caso, a Marcia não era menor. Meu pai estava revoltadíssimo em estar sendo obrigado a se casar com a Marcia. Dizia que se mudaria pra roça e "enfiaria ela la" pra ela sofrer por estar obrigando ele a se casar. A Márcia aparentemente percebeu a besteira que estava fazendo e entregou a certidão verdadeira e libertou meu pai desse destino. Então a Marcia conheceu o Yan, que assumiu a Anna Carolina como filha e teve mais 2 filhas com a Marcia: Yanne e Letícia. E a vida inteira foi escondido de Anna Carolina quem era seu pai na realidade. Durante o casamento dos meus pais, a Marcia começou a ligar pra minha casa procurando pelo meu pai, e ela achava, pois um dia minha mãe resolveu retornar pra um número que ligava bastante pro meu pai, e do outro lado da linha estava Marcia. Minha mãe a ameaçou dizendo que se ela não parasse de ligar pro meu pai que ela iria na casa dela e contaria para o Yan que Marcia estava ligando pro meu pai, Marcelo. Então quando meus pais se separaram, a Marcia começou a procurar mais ainda o meu pai e usou a Anna Carolina pra isso. Marcia contou pra Anna Carolina que o pai dela não era o Yan. (Eu me sinto horrível imaginando o choque que essa menina teve)
Carolina então decidiu que queria conhecer o pai biológico e os irmãos. E então a Márcia levou ela na pastelaria, que era onde meu p[ai trabalhava (era a pastelaria dele), e eu e meu irmão conhecemos a Anna Carolina. E tudo aconteceu como eu narrei anteriormente, mas com uma diferença.
A conversa com minha mãe já começou com ela mesmo sem perceber, me pressionando pra sair de casa e ir trabalhar. Juro que minha mãe já teve depressão, crises de pânico, e acha que meu caso é preguiça ou falta de Deus. Me irrita o quanto minha mãe foi alienada pela religião. Meu relacionamento com Deus é diário e íntimo, e não aceito virem me dizer que não tenho Deus em minha vida porque eu não frequento a igreja. Eu me recuso a ver meu Deus como vingativo ou pensar nas coisas ruins da vida como um castigo por algo que fiz. Acredito no karma, e que um dia nós seremos cobrados por ele, mas não acredito que Deus esteja me punindo. Eu acredito que eu mesma estou me punindo. Minha mente é uma megera que todos os dias tenta me diminuir pelas cobranças que a própria aprendeu com a minha mãe.
No meio da nossa conversa a minha mãe começou a me contar sobre o casamento dela e acabou que juntas nós entramos nesse assunto.
Então ela me contou a seguinte história enquanto eu ouvia com lágrimas nos olhos e um sentimento grande de revolta:
Meu pai sempre foi um homem carinhoso e atencioso, segundo a minha mãe ele era o namorado perfeito. Durante o namoro dos dois, ele contou pra minha mãe sobre a ex namorada dele, que havia engravidado mas ele não a amava. Ele não queria se prender pelo resto da vida a uma mulher que ele não amou. Ele havia se apaixonado perdidamente pela minha mãe. E a mãe dessa ex namorada dele que se chama Marcia (o mesmo nome da atual) fez uma certidão de nascimento falsa da Marcia, pra obrigar o meu pai a se casar com ela na polícia. Eles chamavam de casar na polícia quando uma menor de idade engravidava e o homem não quisesse se casar com a menor. Mas no caso, a Marcia não era menor. Meu pai estava revoltadíssimo em estar sendo obrigado a se casar com a Marcia. Dizia que se mudaria pra roça e "enfiaria ela la" pra ela sofrer por estar obrigando ele a se casar. A Márcia aparentemente percebeu a besteira que estava fazendo e entregou a certidão verdadeira e libertou meu pai desse destino. Então a Marcia conheceu o Yan, que assumiu a Anna Carolina como filha e teve mais 2 filhas com a Marcia: Yanne e Letícia. E a vida inteira foi escondido de Anna Carolina quem era seu pai na realidade. Durante o casamento dos meus pais, a Marcia começou a ligar pra minha casa procurando pelo meu pai, e ela achava, pois um dia minha mãe resolveu retornar pra um número que ligava bastante pro meu pai, e do outro lado da linha estava Marcia. Minha mãe a ameaçou dizendo que se ela não parasse de ligar pro meu pai que ela iria na casa dela e contaria para o Yan que Marcia estava ligando pro meu pai, Marcelo. Então quando meus pais se separaram, a Marcia começou a procurar mais ainda o meu pai e usou a Anna Carolina pra isso. Marcia contou pra Anna Carolina que o pai dela não era o Yan. (Eu me sinto horrível imaginando o choque que essa menina teve)
Carolina então decidiu que queria conhecer o pai biológico e os irmãos. E então a Márcia levou ela na pastelaria, que era onde meu p[ai trabalhava (era a pastelaria dele), e eu e meu irmão conhecemos a Anna Carolina. E tudo aconteceu como eu narrei anteriormente, mas com uma diferença.
Primeiro, minha mãe me contou que assim como eu era apaixonada pela Carolina, ela também era apaixonada por mim e meu irmão. O que mudou isso?
Meu pai simplesmente voltou a namorar com a Márcia. E como se isso não fosse escroto o bastante, a Márcia abandonou as 3 filhas (uma com apenas 11 anos de idade) e foi morar com quem? Sim, com o meu pai. O mesmo que achou que minha mãe fosse uma vagabunda por ter começado a namorar um ano depois do fim do casamento com um bêbado abusivo que no início ela NÃO SABIA que era um bêbado abusivo. Acredito que Carolina ao ver a situação em que a mãe dela e o homem que a fecundou (que não é a mesma coisa que pai) deixou ela e as irmãs que sofreram MUITO, acabou entendendo que pai não é quem tem vínculo sanguíneo mas sim quem CRIA e dá AMOR, dá ATENÇÃO, e não 200 reais de pensão e depois some. Pois é, ele não foi pai pra mim também quando eu precisei. A diferença é que eu estou percebendo isso aos meus 25 anos de idade, depois de quase tirar minha vida pensando que eu sempre fui um grande problema na terra.
No meio de toda essa conversa reveladora, eu decidi tentar me abrir um pouco com minha mãe e falei sobre o quanto me afetou quando criança eles tirarem o Lupi e a Dara de mim justamente no mesmo período em que meus pais se separaram e minha irmã desapareceu da minha vida sem eu entender o porquê. (A minha mãe achou sensato rir da minha cara quando falei isso, eu fiquei muito PUTA e desliguei o telefone no meio da chamada e não a atendi mais.) Eu passei a minha vida inteira culpando a minha irmã por me virar as costas sem nunca me dizer o porque, depois de me cultivar...
Minha mãe me disse que as três sofreram mais porque a mãe prometeu voltar pra buscá-las, e esse dia nunca veio... é tão compreensível a atitude da minha irmã, que hoje eu não consigo mais sentir a agonia que eu sentia por ela, hoje eu sinto essa agonia pelo meu pai, o homem que eu aprendi a amar há pouco tempo e nunca havia me clareado a mente do porque da minha irmã desaparecer. Um covarde, que abandonou duas mulheres (não duvido que existam outras) e 3 filhos, pra viver pra si e para as mulheres que acabarem parando ao seu lado por consequência da vida.
Hoje não vou ligar pra ele. Eu estou sentindo uma confusão de sentimentos horrível. Ontem chorei muito depois de ter essa conversa com minha mãe, não conseguia parar de chorar e acabei acordando a Jackie que já estava dormindo. Ela me abraçou em silêncio até que eu me acalmasse. Ontem tomei uma dose de 50mg de amitriptilina, o que me fez dormir pela primeira vez uma noite inteirinha, e não acordar com a Jackie se arrumando pra ir trabalhar de manhã. No meio do nosso abraço eu estava com fones de ouvido e praticava meu local seguro (eu o desenhei em rabiscos antes de dormir) e ela acabou dormindo de novo e não havíamos jantado ainda, então desci e fiz um misto quente pra cada, subi e a acordei pra comer pois ela estava reclamando de fome antes. Desci e fumei minha erva na nossa área de fumantes da casa, o que me acalmou um pouco. Nesse intervalo o remédio fez efeito e foi horrível pois eu precisei subir as escadas e chegar na minha cama, sem sentir meu corpo. Seria cômico se não fosse trágico.
Agora são 14:16h, eu ainda não saí da cama porque decidi parar pra escrever. Ainda não almocei, mas já fui ao banheiro e percebi que meus rins ainda não deram trégua, pois estou sentindo arder quando faço xixi. Estou pensando se vou ao pronto socorro pelo risco de uma infecção, mas confesso que tá sendo horrível pensar em sair de casa, então provavelmente vou acabar ficando. Não sei se escrevi sobre isso ainda mas nos últimos 6 meses eu tive uma infecção nos rins muito resistente, tomei 4 tipos diferentes de antibióticos e tive uma melhora, mas não sarou completamente pois sinto dores nos rins de manhã e meu xixi agora começou a arder. Garota de sorte euzinha! Hahaha. Sempre cheia de probleminhas. Tenho esperança dos meus problemas de saúde serem apenas frutos do ,meu psicológico, e se for, vai ser mais fácil pois acredito que já dei o primeiro passo.
Estou o dia inteiro com os fones no ouvido ouvindo músicas como as que a psicoterapeuta me manda desde o dia que começamos a terapia, e acredito que isso tem me ajudado a manter um pouco a calma e o controle.
Hoje escrevi bem. Vou me levantar e escolher a rotina de ter um dia como uma pessoa normal: vou escovar meus dentes, fazer o almoço que na verdade vai acabar ficando como janta, e fazer uma nova tentativa de uma caminhada de pelo menos 15 minutinhos aqui perto de casa. Ontem não consegui pois a conversa com minha mãe me deixou muito frustrada. Ela depois que não atendi o telefone me pediu desculpas e disse que estava apenas tentando quebrar o gelo, disse que não tenho noção do quanto ela sofre me vendo sofrer assim, e isso fez minha frustração desaparecer, pois eu me lembrei que era verdade o que ela havia dito. E eu sinto o quanto minha mãe sofre. Me lembrei da razão de estar em Londres, que é conseguir uma condição de vida melhor pra mim pra principalmente ajudar ela e poder cuidar dela. Cuidar da pessoa que mataria e morreria por mim! E eu faria o mesmo por ela! E somente por ela. Minha mãe é o que me ajuda a manter o meu equilíbrio. Eu tenho 100% de certeza que se ela não estivesse aqui hoje, eu também não estaria. Que Deus me cure antes de levar minha mãezinha de mim, ou vai acabar levando dose dupla.
Tenha um ótimo resto de dia, Amanda!
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